Português

Com base no texto


Que nem água...
Há alguns anos, costumava-se dizer ""ele gasta dinheiro
que nem água"". Essa frase, além de indicar alguém que
esbanjava dinheiro, referia-se à água como coisa sem valor,
abundante, inesgotável... Bons tempos... Melhor dizendo:
tempos ilusórios, pois não se tinha consciência do valor desse
elemento vital que a cada dia escasseia em nosso planeta, e
que hoje já não serve para indicar algo desprezível, muito pelo
contrário: a água é cara, e tem de ser economizada como um
bem precioso.
Descobrimos há pouco, com um ingênuo pasmo, que
nossas fontes de energia elétrica podem secar junto com
nossas represas. Além da sede que ela mata, da lavoura que
irriga, dos barcos que transporta e do peixe que oferece, a água
se faz necessária para movimentar as turbinas que passaram a
movimentar o ritmo da vida moderna. Sem energia não há
máquinas, sem máquinas não há trabalho, sem trabalho não há
produção, sem produção não há economia. Isso é claro como
água. O que não está muito claro são as saídas a curto prazo
para a presente crise energética. A água sempre demandou um
tratamento respeitoso, mas só agora nos damos conta disso.
Que fique a lição. Talvez chegue o tempo em que, se
alguém disser ""ele gasta dinheiro que nem água"", todo mundo
saberá que se trata de uma pessoa muito econômica, que
pensa bem antes de desembolsar seu precioso dinheirinho.

(Humberto Chiaro)



As normas de concordância verbal estão inteiramente respeitadas na frase:.
Sempre houve quem esbanjassem os recursos naturais.
Se não houverem trabalho nem produção, não haverá atividade econômica.
Alimentava-se muitas ilusões quanto ao custo e à disponibilidade da água.
Nenhuma saída a curto prazo se avistam em nossos horizontes.
Poderão vir a faltar outros recursos naturais, se não os pouparmos.